SÓ PRECISA QUE EU TENHA FÉ.

Ontem estive no hospital. Fui acompanhar um pequeno amigo que estava internado por causa de problemas nos rins. Cheguei ao hospital, conversamos um pouco, sorrimos bastante das coisas que estavam acontecendo ao nosso redor. Encontrei no quarto outras  pessoas, crianças  que  também  tinha  problemas mais graves e uma mãe, que apesar de todo o sofrimento, conservava o sorriso e o brilho da esperança nos olhos.

Quando chegou o momento de dormirmos, escolhi uma cadeira que ficava entre duas camas. A minha esquerda ficou o meu pequeno amigo, ao meu  lado  direito  uma  menina, que tinha cerca de 10 anos. Olhei para ela e dei boa noite, então  ela  me  respondeu: "boa noite, qual é o  seu  nome"? Eu disse: "Régis, e o seu"? – "Maria  Luiza, mas pode me chamar de Luiza". Então começamos a conversar, pois estávamos sem sono. Ela me contou um pouco de sua vida, que morava numa cidade distante, tinha dez anos, mas a sua mãe não estava no  hospital, pois  está  grávida. Como  alguém que tem autoridade sobre o assunto, falou-me sobre a sua rotina no hospital e fiquei surpreso, como uma criança de dez anos conhecia tanta coisa.

Ela disse que quando estava em casa ia para a igreja, gostava de cantar louvores, juntamente com suas três amigas, e por isso  ensaiavam  todos  os  sábados. De  repente, no meio da conversa, disse: “Conta uma história para mim, para que  eu  possa dormir”. Fiquei um pouco sem graça, e respondi que era muito ruim contando histórias e não conseguia lembrar-se de nenhuma. Mas, ela insistiu: “Todos os dias eu escuto uma música de um homem chamado Zaqueu, você sabe a história”? Vendo que não tinha como escapar de contar a história, então comecei  a  falar  sobre  Zaqueu: Falei que ele fazia uma coisa muito feia, pegava as coisas que não eram  dele, maltratava as pessoas, mas que um dia, ele ouviu falar que um tal de Jesus passava por sua cidade... como era bem baixinho, subiu em uma árvore... então Jesus o viu em cima da árvore e pediu que ele descesse, porque ele gostaria de ficar na casa dele. Na casa de Zaqueu, Jesus sentou a mesa, e Zaqueu ficou tão feliz que devolveu tudo o que tinha roubado as pessoas e tornou-se uma boa pessoa.

Então ela me interrompeu: “Os meus rins não funcionam mais”. Respondi: Vamos pedir a Deus para consertar. Ela sorriu pra mim e disse: “Acho que eu preciso  participar da reunião dos 300 homens”. Onde fica isso? Perguntei. “Você  não  sabe”? Questionou: “Dizem que fica no centro da cidade”. Entendendo do que ela falava, preparei-me para respondê-la usando o meu conhecimento teológico  e  afirmei:  Você não precisa participar  dessa  reunião... Antes  mesmo  que  eu  terminasse, ela falou: “Eu sei que não preciso participar, na verdade se  Deus  quiser ele pode curar os meus rins, só precisa que eu tenha fé”. Fiquei espantado com a demonstração de fé dela, nenhuma resposta mais caberia, e uma lágrima começou a rolar dos meus olhos, mesmo sendo orientado a segurá-las quando  elas  quisessem  rolar. Ela  perguntou se eu chorava, respondi que não, apenas estava muito feliz ao ouvi-la. Pela manhã, não mais a encontrei, já  tinha  saído  para  cumprir a sua rotina diária no hospital. Para mim, ficou apenas  a  certeza  que  a  fé  nasce  em  meio  ao  sofrimento, e a razão para que os olhos daquela criança ainda brilhassem e ainda houvesse um sorriso em seus lábios, era saber que Deus poderia curá-la. Saí do hospital com a certeza de que: “da boca dos pequeninos e das crianças que ainda mamam, Deus suscita o perfeito louvor” (Mateus 21,16).

 

Fonte: Editora Ultimato


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